Jannik Sinner confirmou o favoritismo e despachou Novak Djokovic com autoridade nas semifinais de Wimbledon nesta sexta-feira, vencendo por 6-4, 6-4 e 6-4 em apenas duas horas e 20 minutos no Centre Court. O italiano, número 1 do mundo, vai defender o título no domingo contra Alexander Zverev, campeão de Roland Garros, em sua sétima final de Grand Slam. Para Djokovic, mais uma frustração na busca pelo 25º título de Slam, recorde absoluto que continua escapando.
A vitória de Sinner foi construída sobre solidez e precisão cirúrgica: 40 winners no total, nenhum set perdido desde a primeira rodada e uma leitura tática que deixou Djokovic sem respostas. O sérvio chegou à semifinal após uma batalha extenuante de mais de cinco horas e um quarto contra Felix Auger-Aliassime nas quartas, o jogo mais longo da história de Wimbledon nessa fase, e claramente não tinha fôlego suficiente para desafiar o campeão. Num dia de grandes decisões no esporte mundial - para quem acompanha outras modalidades, vale lembrar que veja detalhes sobre a estreia de Haaland no Mundial -, o tênis entregou um confronto que reafirmou a hierarquia atual da modalidade.
Sinner impõe ritmo e não dá chances ao veterano sérvio
O início do duelo foi discreto - boa parte da plateia ainda retornava às arquibancadas após a derrota do britânico Arthur Fery para Zverev na outra semifinal. Mas Sinner não esperou o clima esquentar. O italiano quebrou o serviço de Djokovic no nono game para fechar o primeiro set e manteve essa pressão constante ao longo de toda a partida. No segundo set, Djokovic salvou dois break points no quinto game, mas a resistência durou pouco: Sinner abriu 4-3 com uma quebra e fechou a parcial com dois games em branco. No terceiro, Djokovic cedeu o serviço logo no primeiro game e nunca mais se recuperou.
"Ele foi muito melhor jogador em quadra e foi a força dominante", admitiu Djokovic ao final. "Você só tem que reconhecer e dizer: parabéns, muito bem feito." Foi uma concessão rara, mas honesta, de um atleta que sabe reconhecer quando o adversário simplesmente foi superior. Sinner, por sua vez, celebrou com equilíbrio: "Incrível. Significa muito para mim poder disputar mais uma final aqui. É o torneio mais especial que temos."
Djokovic e o recorde que insiste em escapar
Aos 39 anos, Djokovic segue empatado com Margaret Court no recorde de 24 títulos de Grand Slam em simples. A janela para superá-lo se estreita. Quando Wimbledon 2026 chegar, o sérvio terá 40 anos - uma barreira simbólica e física que tornará ainda mais árdua qualquer tentativa de conquista na grama londrina. Desde seu último Slam, o US Open de 2023, Djokovic acumula seis derrotas em semifinais de majors, quatro delas precisamente diante de Sinner. No Australian Open deste ano, o sérvio conseguiu virar o jogo contra o italiano nas semis, mas caiu na final para Carlos Alcaraz. A sequência revela um padrão preocupante: Djokovic ainda chega longe nos Slams, mas no momento decisivo lhe falta aquela centelha que o tornou o maior vencedor da história.
Sinner reconheceu a grandeza do adversário sem condescendência: "O que Novak ainda está fazendo é incrível. Ele é uma verdadeira inspiração para a próxima geração. Sempre temos partidas muito difíceis. Tentei fazer alguns ajustes." O italiano chegou a Wimbledon marcado por uma derrota surpreendente na segunda rodada de Roland Garros contra o argentino Juan Manuel Cerundolo - apenas sua terceira derrota no ano. A resposta nas duas semanas em Londres foi a de um número 1 que sabe separar o acidente de percurso da trajetória maior.
Final contra Zverev: Sinner busca o quinto Slam
No domingo, Sinner vai em busca de seu quinto título de Grand Slam. Uma conquista que o aproximaria de Carlos Alcaraz - seu maior rival no circuito, atualmente afastado por lesão no pulso -, que acumula sete Slams. O retrospecto entre o italiano e Zverev favorece amplamente Sinner: nove vitórias seguidas nos duelos mais recentes contra o alemão, número 3 do mundo. O francês Roland Garros coroou Zverev há semanas, e o alemão chega à final de Wimbledon embalado, mas o peso da estatística e do desempenho no torneio joga a favor do atual campeão. Sinner não perdeu um set sequer desde a primeira rodada, onde precisou de três sets para superar Miomir Kecmanovic numa estreia enferrujada - reflexo da decisão, inédita para ele, de não disputar nenhum torneio de grama antes de Wimbledon. Desde então, foi exatamente isso: um nível acima de todos.